Curso de Pós-Graduação "Lato-Sensu" em nível de especialização credenciado pelo MEC em Análises Clínicas e Moleculares.
Período: Novembro de 2008 a dezembro de 2009 Lolcal: Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto/SP Inscrições: a.c.t@terra.com.br Informações: a.c.t@terra.com.br / (17) 3233.4490
Cursos de Especialização em Microbiologia
- Microbiologia e Higiene de Alimentos (420 h); - Microbiologia Clínica Aplicada para Laboratório Clínico e Hospitalar(435h); - Hematologia Laboratorial (400 h).
O primeiro esboço do seqüenciamento do genoma do cavalo foi concluído. Os dados estão depositados em bases públicas e disponíveis a pesquisadores de todo o mundo pela internet. O anúncio foi feito nos Estados Unidos, por coordenadores do Projeto de Seqüenciamento do Genoma do Cavalo.
De acordo com os cientistas envolvidos, o mapa genético tem diversas lacunas e deverá ser analisado extensivamente daqui em diante. De qualquer modo, os estimados 2,7 bilhões de pares de base de DNA oferecem um valioso repositório de informações que acaba de se tornar disponível.
O DNA foi isolado de uma amostra do sangue do cavalo Twilight, um macho da raça thoroughbred que vive na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Cornell. Twilight é um exemplar de um grupo selecionado e criado nos últimos 25 anos especialmente para pesquisas na instituição norte-americana.
Há diversas semelhanças entre o cavalo e o homem que podem ser exploradas em estudos genéticos. Como os humanos, os cavalos, por exemplo, são suscetíveis ao vírus do oeste do Nilo e sofrem com problemas neurológicos e musculares.
Até o momento, os pesquisadores envolvidos no seqüenciamento encontraram mais de 80 doenças de caráter genético comuns ao cavalo e ao homem. Estima-se que cerca de 85% da informação genética das duas espécies seja igual. Como o homem, o cavalo tem menos de 20 mil genes, ainda que seus 64 cromossomos sejam mais do que os 46 dos humanos.
O seqüenciamento do genoma do cavalo doméstico (Equus caballus) começou em 2006, após uma década de trabalho de grupos de cientistas reunidos no internacional Projeto do Genoma do Cavalo.
O esboço da seqüência do genoma do cavalo pode ser acessado pelo GenBank (www.ncbi.nih.gov/Genbank) ou por bases como o Map Viewer (www.ncbi.nlm.nih.gov), do Centro Nacional para Informação em Biotecnologia, ou o Ensembl Genome Browser (www.ensembl.org), do Instituto Wellcome Trust Sanger.
Cientistas criam transplante de célula para combater câncer
Granulócitos, células de defesa da medula óssea, são eficazes na luta contra a doença, diz pesquisa
Células de pessoas imunes ao câncer podem ser transplantadas para portadores da doença e ser eficazes no combate ao tumor, sugere uma pesquisa feita por cientistas da Wake Forest University of Medicine na Carolina do Norte, Estados Unidos.
O estudo, publicado na revista New Scientist, aponta que algumas pessoas possuem células com maior capacidade de atacar certos tipos de câncer, como o cervical.
Os cientistas, liderados por Zhen Cui, acreditam que os chamados granulócitos, células de defesa provenientes da medula óssea e que contêm grânulos, são particularmente eficazes no combate a células cancerígenas.
Cui e sua equipe agora querem testar o transplante de granulócitos 'potentes' para pacientes com câncer.
O câncer cervical atinge mulheres entre 35 e 55 anos, tendo como um dos principais causadores o vírus HPV.
Teste em laboratório
A equipe de cientistas recolheu amostras de sangue de 100 voluntários e misturou apenas os granulócitos a células de câncer cervical em laboratório.
Eles perceberam que uma amostra recolhida de uma pessoa saudável parecia ter matado 97% do câncer em apenas duas horas, enquanto que a amostra de pessoas vulneráveis a doenças ou já com o câncer teria destruído apenas 2% das células cancerígenas.
Pacientes com câncer forneceram granulócitos com capacidade abaixo da média para matar o câncer, como também foi observado entre pessoas estressadas ou acima dos 50 anos.
Curiosamente, até a época do ano parece influenciar na resistência dos granulócitos a doenças. "Ninguém parece ter capacidade para matar o câncer durante o inverno", disse Cui.
Risco
Agora, os estudiosos planejam fazer testes com humanos no ano que vem para avaliar se os granulócitos de doadores podem ter um efeito similar em pacientes com câncer.
As descobertas surpreenderam alguns especialistas, para os quais os granulócitos desempenhavam um papel menor na luta contra o câncer.
Os granulócitos são normalmente associados à resposta do organismo contra infecções bacterianas.
O imunologista John Gribben, do Cancer Researche, na Grã-Bretanha, disse que ficaria "surpreso" se a equipe de cientistas americanos conseguir transplantar granulócitos vivos para pacientes com câncer. "É mais do que um risco teórico", opinou o Gribben.
Para o imunologistas, mais estudos serão necessários para provar a eficácia dos granulócitos no combate a outros tipos de câncer, não apenas o cervical. "Há muitas pessoas considerando a prática de terapias celulares contra o câncer, mas estas ainda não se mostraram eficazes com os granulócitos".
Em artigo publicado nesta quinta-feira (5), a empresa Complete Genomics, California (EUA), anunciou que realizou o sequenciamento de três genomas humanos completos a um custo razoavelmente acessível, se comparado com o custo do projeto Genoma Humano. “Nós demonstramos que é possível sequenciar e detectar de modo preciso e acessível variantes por todo o genoma humano,” disse Cliff Reid, presidente e CEO da Complete Genomics. “Esta abordagem de alta-qualidade e custo-efetivo para o sequenciamento genômico permitirá os pesquisadores estudar genomas completos de centenas de pacientes doentes avançando no entendimento das causas géneticas das doenças, com objetivo de previnir e tratar doenças humanas comuns.” O artigo descreve a metologia usada para sequencias de linhas derivadas de dois individuos previamente caracterizados pelo projeto internacional HapMap. Estes incluem um homem caucasiano de descendência européia e uma mulher de Yoruban. Além disso, pesquisadores sequenciaram DNA de limfoblastos de homens caucasianos obtidos de um projeto genômico particular.
Astrônomos detectam moléculas orgânicas em planeta fora do Sistema Solar
21/10/09
Em anúncio nesta terça-feira(20), astrônomos da NASA conseguiram detectar moléculas orgãnicas em planeta fora do Sistema Solar. O planeta, cujo nome se chama 209458b, está a 150 anos-luz da constelação de Pegasus. É quente, grande, gasoso e habitável, maior que Jupiter. Os pesquisadores obtiveram dados de dois grandes observatórios espaciais em órbita da NASA, o telescópio Hubble e Spitzer. Eles utilizaram a técnica de espectroscopia que consiste na separação da luz em dois componentes para revelar assinaturas espectrais distintas de diferentes compostos químicos. Os dados da câmera de infra-vermelho e do espectrômetro multi-objeto do Hubble detectaram a presença das moléculas, e os dados de fotometria e espectrometria infra-vermelho do Spitzer mensuraram suas quantidades. "É o segundo planeta fora do Sistema Solar em que água, metano e dióxido de carbono foram encontrados, são potencialmente importantes para os processos biológicos em planetas habitáveis," diz o pesquisado Mark Swain do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, Pasadena, Calif. A descoberta anterior, em Dezembro de 2008 tinha encontrado dióxido de caborno, vapor d' água e metâno em um planeta do tamanho de Jupiter com nome de HD 189733b.
Agência FAPESP – Pesquisadores dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos identificaram uma mutação genética responsável por uma condição que ocorre em pessoas com imunodeficiência herdada.
A desordem, chamada de imunodeficiência combinada grave, é caracterizada por uma série de problemas de saúde severos, entre os quais infecções bacterianas e virais persistentes de pele, eczema grave, alergias agudas, asma e câncer.
A imunodeficiência combinada grave é um tipo de deficiência imunológica primária no qual várias partes do sistema imunológico são afetadas. Trata-se de uma desordem herdada caracterizada pelo aumento na suscetibilidade a infecções bacterianas, virais e fúngicas em vários órgãos do corpo. Em alguns casos, a suscetibilidade a cânceres também pode ocorrer.
Há 150 tipos conhecidos de deficiência imunológica primária, com cerca de 500 mil pessoas nos Estados Unidos diagnosticadas com a condição. A equipe que fez a descoberta foi conduzida por Helen Su, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infeccionas (Niaid), e os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine.
Os cientistas sabiam que certos pacientes com uma forma indefinida da imunodeficiência combinada compartilham características clínicas suficientes para que a causa pudesse ser uma mutação genética comum.
Originalmente, pensou-se que esses indivíduos tivessem uma forma da síndrome de Jó ou de hiperimunoglobulinemia E, desordem caracterizada por níveis aumentados de uma classe de anticorpos conhecidos como imunoglobulina E, por infecções bacterianas e fúngicas superficiais e sistêmicas, além de eczema.
O grupo de voluntários do estudo, contudo, tinha eczemas muito mais severos do que normalmente se vê em casos da síndrome de hiperimunoglobulinemia E. Os pacientes também tinham infecções virais na pele extensas e de difícil tratamento. Alguns desenvolveram câncer de pele.
“Apesar de terem sido diagnosticados com uma forma rara de síndrome de hiperimunoglobulinemia E, ainda assim consideramos que eles tinham uma doença desconhecida, por conta das alergias severas e do desenvolvimento de tumores”, disse Helen.
Com o uso da técnica de hibridização genômica, processo por meio do qual grandes quantidades de DNA são fixadas em um chip e analisadas em computador em busca de alterações genéticas, os pesquisadores examinaram os genes nas amostras de tecido de pessoas de cinco grupos diferentes: com imunodeficiências desconhecidas; com a variante da síndrome de hiperimunoglobulinemia E; com a forma clássica da síndrome; com outras doenças imunológicas; e indivíduos sadios.
Os cientistas descobriram que as pessoas com a variante da síndrome apresentaram mutações em um gene chamado de Dock8. Essas mutações causaram eliminações em partes do próprio gene. Quando comparados com pessoas saudáveis, os pacientes com mutações no Dock8 apresentaram menos linfócitos T CD8 positivos, células imunes necessárias para o combate a infecções causadas por vírus.
Os pacientes também tinham menos células B produtoras de anticorpos e um aumento no número de eosinófilos, células imunes associadas com casos de alergia.
De acordo com os autores do estudo, os resultados indicam que o Dock8 é essencial para a defesa contra infecções virais e para a prevenção do desenvolvimento de cânceres e alergias.
Embora mais estudos sejam necessários para determinar se as mutações no Dock 8 ocorrem em outras pessoas com sintomas semelhantes, a variante da síndrome de hiperimunoglobulinemia E causada por mutações no gene pode ser um novo tipo de deficiência imunológica primária, apontam.
CPQBA conta com coleção cuja aplicabilidade abrange várias áreas de pesquisa
A menção de fungos e bactérias nos remete imediatamente a contaminação e doenças. Entretanto, são vários os exemplos da utilização benéfica dos micro-organismos pelo homem, como na fabricação de e (queijos, iogurte, cerveja, vinho), entre outros produtos obtidos pela ação desses agentes. “Na verdade, se fizermos um balanço, veremos que existem muito mais micro-organismos benéficos do que maléficos”, afirma Lara Durães Sette, pesquisadora do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp.
Lara Sette, doutora em ciência de alimentos, é curadora da Coleção Brasileira de Micro-organismos de Ambiente e Indústria (CBMAI), criada em 2002 como parte da Divisão de Recursos Microbianos (DRM) do CPQBA, com apoio da Fapesp, Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e Finep. O acervo totaliza 1.020 micro-organismos, entre bactérias, fungos filamentosos e leveduras, originários principalmente de diferentes biomas brasileiros.
“Costumo dizer que nossos freezers estão repletos de ouro, pois preservamos material biológico com grande potencial para inúmeras aplicações biotecnológicas. A indústria farmacêutica, por exemplo, realiza investimentos substanciais em busca de micro-organismos capazes de produzir compostos bioativos com atividades antimicrobianas ou antitumorais”, explica a curadora da CBMAI.
Outro exemplo de aplicação positiva lembrado pela pesquisadora se relaciona com o meio ambiente. “Um processo já bastante disseminado é a biorremediação, com a utilização de micro-organismos para limpeza de áreas contaminadas, graças à capacidade que eles possuem de degradar moléculas complexas como dos poluentes ambientais. Esse tipo de pesquisa vem sendo desenvolvida no mundo todo e, devido à sua relevante importância ambiental, deve continuar sendo estimulada”.
Micro-organismos utilizados em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e no setor industrial precisam ser devidamente preservados e estar prontamente disponíveis em coleções de culturas. Estas coleções atuam como infra-estrutura fundamental de apoio às ciências da vida e à biotecnologia por meio da conservação e distribuição de recursos genéticos microbianos.
Neste contexto, Lara Sette ressalta que a CBMAI, desde o início, foi pensada e estruturada como uma coleção de serviço, visando atender à demanda do setor industrial e da academia no que diz respeito à distribuição, preservação, caracterização e identificação de micro-organismos. “O acervo está focado em micro-organismos de importância biotecnológica ou que sejam representativos da biodiversidade brasileira. Como não temos infra-estrutura para salvaguardar um alto número de depósitos, trabalhamos apenas com micro-organismos não patogênicos, pertencentes aos grupos de risco 1 e 2”.
A curadora observa que outras coleções no país preservam micro-organismos patogênicos e estão geralmente alocadas em hospitais ou instituições de pesquisa na área da saúde, caso da Fiocruz. “São coleções de extrema importância para estudos clínicos. Antigamente, um paciente com infecção microbiana corria o risco de morrer devido à demora em descobrir o agente causador da doença. Hoje, o desenvolvimento de kits para identificação rápida desses agentes pode garantir de vida do doente”.
Lara Sette considera que um dos principais serviços prestados pela CBMAI é justamente a identificação de micro-organismos, notadamente em processos industriais. “A rapidez na identificação do agente contaminante pode proporcionar a rápida rastreabilidade da contaminação e reduzir os prejuízos da empresa. Temos hoje uma carta de clientes bastante ampla, que inclui multinacionais da região de Campinas e de todo o país”. Outro serviço relevante é de preservação de micro-organismos utilizados como referência em ensaios normatizados ou em projetos científicos desenvolvidos na Unicamp e em outras universidades e instituições de pesquisa brasileiras. A curadora atenta que a preservação de células vivas exige procedimentos criteriosos e baseados em protocolos internacionalmente reconhecidos. “Nosso acervo está preservado principalmente por dois métodos de longo termo: o ultracongelamento a menos 80°C e liofilização; e pelo método de Castellani (preservação em água a 4°C)”.
Valéria Maia de Oliveira, coordenadora da DRM: “Biomarcadores podem servir como indicadores da qualidade do óleo” (: Antoninho Perri)Contudo, a responsabilidade da manutenção de uma coleção de culturas microbianas vai além da escolha do método de preservação adequado, conforme a pesquisadora. “A garantia da manutenção da viabilidade requer infra-estrutura apropriada. Possuímos na CBMAI um sistema que é prontamente acionado na falta de energia, garantindo assim a preservação de todo o acervo mantido em ultrafreezer”.
Pesquisas
O CPQBA é uma unidade da Unicamp que não mantém carreira docente, estando direcionada à prestação de serviços e desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica. Na DRM, que abriga a CBMAI, três pesquisadores conduzem estudos nas áreas de microbiologia aplicada, taxonomia, sistemática e ecologia microbiana.
Lara Sette informa que ela própria desenvolve pesquisa em biodiversidade e bioprospecção de fungos filamentosos. “Atualmente, busco enzimas de interesse ambiental e industrial produzidas por fungos derivados de ambiente marinho (associados a algas e invertebrados). Ao mesmo , estudo a biodiversidade dos fungos filamentosos associados aos macro-organismos desse ambiente. A micologia marinha é uma ciência recente, o que torna esse tipo de estudo pioneiro no país”.
Os estudos desenvolvidos no âmbito da DRM alimentam a CBMAI, e vice-versa. Além disso, pesquisadores de outras instituições recorrem à coleção para o depósito de micro-organismos derivados de seus projetos de pesquisa. É o caso de cientistas vinculados ao Programa Antártico Brasileiro (Proantar), do MCT, que escolheram a CBMAI como depositária dos microrganismos derivados da Antártica.
A curadora adianta que a CBMAI já está recebendo os primeiros micro-organismos derivados de ecossistemas antárticos, que comporão uma coleção temática. “Ela será lançada oficialmente no início de novembro deste ano, em um workshop específico que tem como tema os trabalhos realizados em ambientes antárticos. Esses micro-organismos são fontes potenciais de aplicação biotecnológica, principalmente em processos que requerem baixas temperaturas”.
Para Lara Sette, as coleções temáticas podem atrair o interesse da academia e do setor industrial, de forma que outras duas serão brevemente estruturadas no âmbito da CBMAI: a coleção de micro-organismos marinhos e a coleção de micro-organismos do petróleo.
Petróleo Valéria Maia de Oliveira é coordenadora da DRM, doutora em genética de micro-organismos e biologia molecular, e trabalha no isolamento e identificação de micro-organismos que atuam na degradação do petróleo, basicamente de bactérias. A pesquisadora explica que se trata de estudo multidisciplinar iniciado em 2002, com apoio da Petrobras e envolvendo os grupos dos professores Francisco Reis e Anita Marsaioli, ambos do Instituto de Química (IQ) da Unicamp. “Trabalhamos com amostras de óleos vindas dos reservatórios”.
As bactérias isoladas a partir desses ambientes inóspitos vêm sendo identificadas e depositadas no acervo da CBMAI, e utilizadas em pesquisas visando à triagem de compostos com atividade biológica, mais especificamente enzimas de importância industrial. Valéria de Oliveira recorre à abordagem molecular para extrair o DNA diretamente do consórcio que está degradando o óleo, ou do próprio petróleo, com a posterior clonagem e identificação dos componentes desta microbiota.
Tais fragmentos de DNA podem também conter genes que codificam compostos com atividade biológica de extremo interesse biotecnológico, e que futuramente podem ser manipulados para atender uma demanda específica de um processo industrial, por exemplo. “Outro aspecto interessante é que determinados micro-organismos ou compostos químicos, os biomarcadores, podem servir como indicadores da qualidade do óleo. Portanto, além da questão ambiental, a pesquisa possui um enfoque econômico de longo prazo, com potencial de aplicação na área de exploração do petróleo”.
A rede global e o novo prédio
Considerando a enorme evolução da biotecnologia e da bioeconomia na década de 1990, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) instituiu, em 1999, grupos de trabalhos para o estabelecimento de uma Rede Global de Centros de Recursos Biológicos (CRBs). A denominação CRB vai representar um novo status para as coleções de serviço que operam dentro de um sistema de qualidade e de acordo com a legislação nacional e internacional. “Apenas as coleções de excelência poderão participar da rede global de CRBs”, afirma Lara Sette, curadora da CBMAI.
Nesse sentido, a pesquisadora ressalta que o nosso governo atentou para a importância de se estabelecer no país uma estrutura adequada para atender à demanda por material biológico com qualidade assegurada e está garantindo recursos e trabalhando para definir os critérios visando a criação de uma rede brasileira de CRBs. “Esses centros deverão ser credenciados primeiramente em nível nacional, pleiteando posteriormente o certificado internacional. Se o não se adequar, ficará fora desse cenário”.
Embora o Brasil não seja signatário da OCDE, o país está participando juntamente com 14 outros países do estudo piloto denominado Demonstration Project for a Global Biological Resource Centre Network, cujo propósito é chegar a boas práticas de operação dos CRBs.
De acordo com a curadora, a CBMAI, por apresentar hoje um alto padrão nos serviços oferecidos, foi a coleção escolhida para representar o país no estudo da OCDE. “Temos um sistema de qualidade implementado, atuando em conformidade com os requisitos da norma ISO 17025. Entretanto, a estrutura física e de recursos humanos ainda representa um gargalo para nos tornarmos um centro de recursos biológicos”.
Enquanto isso, Lara Sette e seus colegas pesquisadores da Divisão de Recursos Microbianos aguardam ansiosos pela conclusão de um novo prédio com 380 metros quadrados, que está sendo construído com recursos de projetos de pesquisa angariados por eles próprios.
Depois de tentativas de se produzir biocombustíveis a partir de milho, soja e cana-de-açúcar, o que resultou em um aumento no preço dos alimentos e, em alguns casos, prejudicou ainda mais o meio ambiente do que a queima de combustíveis fósseis, a nova opção é extrair etanol do lixo.
No ano passado, os Estados Unidos produziram 32 bilhões de litros de etanol proveniente de diferentes fontes, e a previsão do Governo é de que esta quantidade chegue a quadruplicar até 2022. O lixo urbano pode ser utilizado na produção de pelo menos metade desta quantidade, e a Fulcrum BioEnergy, uma empresa da cidade de Pleasanton, no estado americano da Califórnia, já percebeu esta tendência.
A companhia investiu US$ 100 milhões na construção de uma usina em Reno (Nevada), que produzirá 37,8 milhões de litros de etanol por ano, proveniente somente de resíduos sólidos urbanos. James Macias, dono da empresa, detectou outras 26 localidades pelo país onde o volume de lixo produzido pela cidade tornaria viável a construção de mais usinas similares ou até maiores. No total, a empresa poderia produzir mais de 3 bilhões de litros de etanol por ano, por aproximadamente apenas US$ 0,27 por litro.
Atualmente, a gasolina abastecida nos postos já contém de 5% a 10% de etanol, mas os motores de carros de passeio suportariam um índice de até 20%, sem que seus donos percebessem diferença alguma em seu desempenho. A grande vantagem está na baixa emissão de gases que agravam o efeito estufa, que chega a ser 85% menor dependendo do tipo de processo de fermentação do combustível.